COMPORTAMENTO HUMANO VERSUS ATERROS SANITÁRIOS

Eis uma grande e original questão: como um pai ensina um filho sobre meio ambiente se ele não aprendeu na escola?

Sabemos da importância da conscientização ambiental e sabemos da importância da educação das nossas crianças. Mais em relação a nós adultos, estamos sendo educados de forma correta? Onde podemos ser educados ambientalmente?

Fica a grande questão sobre duas “palavrinhas mágicas”: Andragogia (ensinar os adultos a aprenderem) ou Pedagogia (ensinar as crianças a aprenderem) para a educação ambiental?

Ensinar crianças se nos parecem mais fácil, pois basta impor teorias e provar esquemas simples e, pronto, entenderam! Mas, e os adultos? Basta impor teorias e provar esquemas simples? Não. Os adultos querem mais, necessitam explicações complexas que não chegam a lugar algum porque são inteligíveis… e os adultos, enfiados em seus ternos e gravatas sacodem a cabeça como se entendessem tudo e, quando menos imaginam, no momento de intervalo da palestra enfadonha, saem correndo em busca de espaços para falarem de futebol e soltar suas fumaças da ignorância (as fumas dos cigarros), bebendo seu wiskisinho de ocasião, como se estivessem salvando o mundo.

Definem e pregam uma educação para as crianças, mas não se importam se isso dará certo, pois corrompem o meio ambiente com a podridão de suas posturas. É isso mesmo, o meio ambiente não é apenas o lugar das arvorezinhas e dos bichinhos indefesos, o meio ambiente é o lugar ao qual estamos inseridos e falsamente defendemos.

Ensinamos e ditamos e ditamos NÃOS às crianças, mas não damos exemplos. Dizemos que isso ou aquilo é errado e destroi o planeta, mas viramos as costas e destruímos. As crianças, quando no momento de intervalo entre uma palestra enfadonha, lotam o lugar da apresentação para conhecer mais e melhor… então nos pergunto: falta-nos a Andragogia ou a Pedagogia. Falta-nos aprender os adultos ou as crianças? Existe um ensinamento que diz que devemos ensinar desde que nos demos ao respeito. Desde quando os diretores de escolas, professores, secretários de educação, prefeitos, vereadores, ministros, governadores, presidentes… são nosso exemplo de educação, principalmente educação ambiental?

Já que estamos falando andragogicamente, em se tratando de politica nacional de resíduos sólidos, ate que ponto ela tem poder em artigos de lei para tirar o agente coletor da informalidade e fornece uma situação digna de trabalho? Fica claro no vídeo LIXO EXTRAORDINÁRIO de Vik Muniz, que o mundo desses “lutadores” é dentro do aterro sanitário. Estes senhores não têm direito à escola, não têm direito à vida digna, apenas lutam pela sobrevivência.

Como já abordo há algum tempo, identificamos o problema no destino e não na origem logística, um caminho digno a esses lutadores seria criar realmente um sistema de coleta seletiva urbana, organizar cooperativas, permitindo a coleta e triagem nas residências e não permitir este trabalho precário.  Aí cabe a PNRS e investimento de órgãos públicos e empresas para criação desses sistemas.

São evidentes no vídeo, pessoas que passam a vida nestas localidades sobrevivendo com o mínimo de dignidade possível desfrutando chorume e risco de morte, em contraste como uma lutadora mesmo disse:  do outro lado estão em casa no sofá assistindo televisão, consumindo alimentos e disponibilizando restos e embalagens. A quebra logística, responsabilidade social, responsabilidade governamental nos
permite este descaso a esses cidadãos.

Em se tratando de sustentabilidade, escutamos diariamente a diminuição do consumo em massa. Faço uma pergunta: estes senhores que gerenciam grande parte do resíduo sólido do Rio de janeiro, têm condições financeiras para o consumo? Estou alertando a situação do vídeo, porém a esta visão holística e modelo empírico pode ser estudado em todo território nacional; ainda talvez possamos encontrar aterros menores com precariedades ainda maiores.

Vejo um longo caminhado a ser superado, principalmente quando é citada a responsabilidade compartilhada, acordos setoriais e destinação adequada.  Vemos a valoração em destaque na PNRS, pois então, que realmente o agente coletor seja valorizado e tirado da informalidade de forma digna, que ela tenha estrutura ergonômica de trabalho.

Da forma que esses senhores vivem, eles se classificam como catadores, porém, eu os classifico por lutadores sobreviventes a vida. Realidade triste, o catador de uma cooperativa, ainda que de forma errônea de trabalho como também é possível acompanhar, com falta de infraestrutura logística e ergonomia de trabalho, está longe de ter a precariedade que esses lutadores encaram no dia-a-dia.

Confirmo mais uma vez que o problema ambiental no Brasil é de consciência social e educacional!

Seguem links com maiores detalhes sobre o Documentário de VIK MUNIZ no Jardim Gramacho, um dos maiores aterros do mundo.

http://www.wastelandmovie.com/jardim-gramacho.html

http://g1.globo.com/acao/noticia/2011/05/jardim-gramacho-vida-num-dos-maiores-aterros-sanitarios-do-mundo.html

Por: Renato Binoto e Toninho Miguel

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4 thoughts on “COMPORTAMENTO HUMANO VERSUS ATERROS SANITÁRIOS

  1. PENSO QUE EDUCAÇÃO AMBIENTAL TRANSCENDE A SALA DE AULA, BEM COMO ULTRAPASSA A SIMPLES VONTADE POLÍTICA OU DO GOVERNANTE, SEJA ELE PODER EXECUTIVO OU LEGISLATIVO. TENHO PLENA CONVICÇÃO QUE A EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL QUE O PAÍS E O PLANETA CARECE IMPERIOSAMENTE PRECISA DA VONTADE E CONSCIÊNCIA DE TODOS, E NÃO APENAS DE ALGUNS.
    O PLANETA TERRA AGRADECE.

  2. Prezado Jorge Marcos Barros,
    Obrigado pelo comentário e concordo. Vimemos de conscientizações momentâneas, qual seria a forma de manutenção de projetos? Acredito que a falta de interesse e falta de investimento nestas ações impossibilitam uma educação continuada ambientalmente correta. Temos muito a evoluir e muito a aprender. A consciência de todos atingiremos quando estes projetos ambientais fizeram parte do nosso dia-a-dia. Muito boa suas considerações e ponto de vista. Grande abraço

  3. Educação sempre foi uma chave para a nação, mas nunca vi,desde que comecei a atuar nenhum governo interessado em deixar o povo mais interado.Porém, há um educação que muitos ignoram: a dos lares! Não vemos que o meio ambiente começa dentro do berço de um homem. Como e quando começamos a gerar resíduos? Alguém já pensou nisso?

    • Cara Luciana, vejo a falta de interesse em se realmente fazer algo para mudança. se deixamos o povo inteligente não teremos mais votos e continuidade no poder. O sistema politico infelizmente ainda atua desta forma, em consequência vemos outros problemas agregados a este plano, problema que chamo dos 4 anos. Você tem 4 anos no poder, após isto, os projetos não tem continuidade, começa tudo do zero. Ai estamos!!!

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