AnalogíSTICA – Erros e associações a área logística

Escrevo este artigo, para tentar quebrar alguns paradigmas em se tratando de analogias e associações errôneas de áreas e setores que abrangem o mundo logístico.

Historicamente, o Brasil começou abordar logística de fluxo direto na década de 80 e até Communicating-1024x853
hoje sofremos essas consequências de desconhecimento sobre a temática, afinal grande parte dos empresários e profissionais relacionados ao setor, associam logística a transporte. Logística, originaria de  ¨logos¨, que é a arte de calcular, portanto logística é estratégia e logicamente o transporte tendo sua importância para o levar e trazer, ou seja, depois do plano estratégico criado, ai sim se faz transporte.

Já na década de 90, começou a se falar em supply chain, e propriamente em integração de cadeias de suprimentos. Alguns dizem que o supply é ainda maior que logística, mais complexo e estratégico. Por definição, supply chain é a integração, desde camadas produtivas, a suprimentação, indústria, e distribuição, sendo subdividida em inbound, intralogistica e outbound.  O maior fluxo para esta viabilidade é a integração da informação entre todos os elos logísticos, ou seja, software, compartilhamento de informação. É um cenário desafiador e complexo, portando o que temos em se tratando de cenário Brasil é apenas integração entre alguns elos dessa cadeia logística, ou seja,  no Brasil não existe Supply Chain há não ser na teoria ou pintando em alguns caminhões de operadores logísticos como diferencial a logomarca.Poucas empresas no mundo conseguem realmente esta complexidade de integração entre todos os elos da cadeia, formando realmente o contexto de supply chain.

LRDando continuidade, a grande problemática que veio a tona  é a logística de fluxo reverso. Nunca se deu importância aos canais de fluxo reverso, afinal se repararmos nos modelos produtivos principalmente da segunda revolução industrial, vamos perceber a importância da gestão da qualidade no ato produtivo e propriamente nunca se pensou no canal de retorno e propriamente na analise do ciclo de vida de produtos. Desde então, tivemos um canal de desiquilíbrio entre geração, velocidade de consumo e propriamente o não fechamento do ciclo, pois tudo que consumimos, pequena parte cai num canal de revalorização em se tratando de reuso e reciclagem.

Desta forma, em 2010 surge a Politica Nacional de Resíduos Sólidos e logicamente como viabilidade de coleta surge uma grande ênfase em logística reversa na lei. Isto criou uma outra associação errônea, afinal quando se fala em logística reversa se faz associação direta a resíduos. Ainda para complicar, se faz associação à logística verde, que também se difere deste modelo de trabalho. Por definição,  a logística reversa é subdividida em logística reversa de pós-venda e pós-consumo, ou seja, ela é uma estratégia viabilizadora em se tratando de tempo e custo, e não deve ser associada a resíduos sólidos.

Dentro da politica nacional de resíduos sólidos, alguns produtos com o termino da vida útil, são obrigados a desenhar canais de fluxo reverso para coleta e destinação adequada para fechamento de ciclo, são eles, pilhas e baterias, embalagens, óleo mineral automotivo e as embalagens, lâmpadas fluorescentes, embalagens de agrotóxico, eletroeletrônicos, pneus e esta se discutindo a viabilidade de coleta de medicamentos. Portando se faz a confusão entre licenciamento ambiental, onde a indústria tem que destinar o resíduo para tratamento ou mesmo a aterro sanitário, com logística de fluxo reverso. O simples fato de destinação de resíduos, quando não se enquadra nos listados acima, é cumprimento legal de impacto ambiental do licenciamento e não obrigação de logística reversa, portando é uma simples ação de transporte, não se imputa os acordos setoriais que são obrigações para os produtos listados acima que terão que apresentar um documento ao ministério do meio ambiente e propriamente definir entre todos os integrantes da cadeia logística, como será o plano de coleta se concretizando os acordos setoriais.

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Logística reversa é a ferramenta de viabilidade, em nenhum momento pode se criar uma analogia a resíduos. Por outro lado, em se tratando de logística reversa, vamos falar de estratégia, como por exemplo, o caso logístico das lojas C&A, ou seja, um operador logístico faz a coleta de cabides nas lojas, armazena, de acordo com o pedido dos fornecedores sendo malharias, distribui, as malharias ter por obrigação pendurar as roupas nos cabides e distribuir as lojas. Desta forma, se minimiza mão-de-obra nas lojas e propriamente volume de embalagens geradas, como podemos observar nas concorrentes que disponibilizam as roupas engomadas e embaladas, com excesso de saquinhos plásticos e papelão com grampos.

Logística reversa de pós-venda, pode ser fluxo reverso de informação dos clientes, feedback, recall de veículos, processos de garantias, fluxo de retorno para atendimento rápido ao cliente, ou seja, uma operação estratégica, algumas vezes de solução perante direito do consumidor e algumas vezes de cunho estratégico para operação e ganho de mercado

log verdePor fim, outro erro que temos que evitar, Logística verde é a gestão de cadeia de suprimentos pensando de forma holística e integrada em toda a minimização de impacto ambiental, ou seja, pela geração de embalagens inteligentes para não se tornarem resíduos, embalagens de retorno, combustíveis de menos impacto, entre outros contextos.  Portanto, logística reversa não é logística verde.

São áreas multidisciplinares que demandam especialistas de todas as áreas, o problema do Brasil é a verticalização de poder, onde poucos tentam se tornar deuses do assunto versus a problemática de infraestrutura somada ao desconhecimento legal e teórico sobre o assunto. Vamos compartilhar conhecimento logístico, é uma área muito importante para continuar neste desconhecimento.

Por: Renato Binoto

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